Pets mudam a rotina e trazem alegria para a vida
Convívio com cães e gatos traz uma nova vida para os tutores e garante mais saúde e alegria para a família
Por: MAjô GONÇALVES
FOTO: ARQUIVO PESSOAL
O mercado pet movimentou cerca de R$77 bilhões somente em 2024, conforme dados da Abinpet. E dos 225 negócios voltados a animais de pequeno porte, 125 são MEIs (microempreendedores individuais), conforme dados do SEBRAE Nacional, de 2023, portanto movimenta a economia de forma significativa.
Tudo isso não é por acaso. A presença de animais de estimação nas residências tem se mostrado uma verdadeira fonte de benefícios para a saúde humana. São mais que simples companheiros, cães e gatos e outros animais de estimação são membros da família. Desempenham, involuntariamente, um papel significativo na melhoria do bem-estar físico e emocional de seus tutores.
Os cães são incentivadores da atividade física, já que as caminhadas e brincadeiras ao ar livre são formas de interação importantes entre os animais e seus tutores. Eles necessitam de exercício regular para gastar energia, explorar o ambiente e socializar com os outros cães. Essas necessidades oferecem oportunidades para os tutores aproveitarem o ar fresco, regular a vitamina D com a luz solar, socializar conhecendo outros tutores com essa rotina imposta pelos pets que também traz benefícios emocionais para os tutores.
A interação calma e afetuosa com um pet, como acariciá-lo, pode causar efeitos relaxantes expressivos. Fazer carinho em um animal de estimação tem sido associado à redução da pressão arterial. Isso ocorre porque essa interação diminui os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e aumenta a produção de ocitocina, um hormônio que promove a sensação de bem-estar e relaxamento. A prática pode ser particularmente benéfica para pessoas que possuem hipertensão e as interações também diminuem o risco de derrame.
Estudos do Instituto de Pesquisa Animal Waltham Pet Care Science, ter e cuidar de um pet, como cachorros e gatos, aumenta a presença de ocitocina, conhecida como o hormônio do amor e diminui os níveis de estresse no organismo. Além disso, uma pesquisa da Edellman Intelligence em conjunto com Habri e a Mars Pectare revelou que 80% das pessoas se sentem menos solitárias quando têm um animal de estimação.
Depois de ver os benefícios que os pets trazem de forma geral na vida, vamos conhecer a história de duas tutoras que tiveram suas rotinas transformadas pela chegada das suas cachorras, ambas as histórias têm muita dedicação e amor envolvido e tiveram suas vidas totalmente transformadas.
O casal Fernanda Danza e Roberto Juns, proprietário da Alinea Clínica, em Santa Rosa de Viterbo, no interior de São Paulo, sempre quis ter um cachorro, ao procurar uma casa decidiu não abrir mão do gramado para que o futuro pet tivesse conforto.
Fernanda sonhava com um cachorro dachshund, o famoso “salsicha”, mas sempre deixava para depois devido à rotina corrida até que a sua manicure oferecesse um filhote fêmea que, por coincidência do destino, era da raça desejada. “Não pensei duas vezes e pedi para ela um filhote, deixei a tarefa difícil de escolher para ela, que me presenteou com a mais bela cachorrinha da ninhada,” fala Fernanda.
A Letty chegou para alegrar a casa e em pouco tempo se adaptou, conquistou a todos inclusive a ajudante do lar. É carinhosa, louca por comida de humano, esse é o único cuidado que os tutores têm de prestar atenção ao sair de casa para não deixar nada em cima da mesa.
“Ela chegou para trazer leveza para nossa rotina, vamos sempre almoçar em casa e estendemos um pouco depois do almoço. Ela já espera o nosso carinho e depois todos damos uma cochilada, isso trouxe uma injeção de ânimo para nosso dia”, disse Fernanda.
Letty está acostumada a fazer viagens curtas de fins de semana para a casa dos pais da Fernanda e para o sítio dos pais de Roberto. “Quando ela vê as malas, fica na expectativa para entrar na caixa de transporte. O sítio é o paraíso para Letty”, menciona Fernanda.
Quando o casal viaja de férias, Letty tem sua estadia garantida na casa da ajudante do lar, Lu, com quem ela está totalmente adaptada e Fernanda e Roberto ficam tranquilos recebendo fotos do dia a dia da cachorrinha.
Fernanda considera o banho como uma forma de carinho e dedica um tempo na semana para terem essa troca. A cachorra não faz passeios diários na rua porque como Fernanda previa, tem espaço para gastar energia com direito a pomar para comer amora e pitanga.
Letty passou por uma gravidez psicológica no seu primeiro cio, os tutores a levaram ao veterinário que identificou o que estava acontecendo e disse que era algo normal, mesmo com toda informação quando Fernanda se deu conta estava deitada no chão ao lado da cachorra.
“Aconselho a todos a terem um pet porque eles trazem disciplina para tornar sua rotina mais leve, naturalmente trazem união para família e tornam os momentos ainda mais inesquecíveis”, acredita Fernanda.
Thais Campos, gerente de soluções da Select, Infinity e Select Club, sempre teve pets. Quando foi morar sozinha, sentia muita falta da convivência com um animal e achava que na sua rotina não cabia porque o pet ficaria muito tempo sozinho.
O cachorro da sua mãe faleceu, ela ficou triste e sua irmã a convidou para ir a uma ONG de animais abandonados para pegar um cachorro que a mãe delas tinha se apaixonado. Ao chegar lá, o cão já havia sido adotado, então, as irmãs resolveram ir a uma feira de animais para adoção do pet para a mãe. Ao chegar lá, Thais e sua irmã viram uma ninhada apaixonante de sete animais, três branquinhos e outros quatro caramelos tinham de 45 a 60 dias, cabiam na palma da mão. Quando ela viu aquela filhotinha deitada, quietinha com focinho pintado, quis pegá-la no colo e se apaixonou na mesma hora. Thais falou para a irmã que poderia ser a cachorra da mãe delas, mas a irmã estava apaixonada por uma terrorista que não parava quieta, corria de um lado para o outro, mordia tudo inclusive os seus irmãos. “Então, decidimos que a filhote quietinha era a minha Paçoca e a terrorista escolhida pela minha irmã seria a Canjica da minha mãe”, conta.
Ao chegar à casa da mãe, o gato de estimação começou a atacar a Canjica, por a cachorra ser muito pequena, todos tiveram medo do que poderia acontecer com a filhotinha. Thais e sua família decidiram que ela ficaria com as duas até a Canjica crescer e ser possível realizar uma adaptação com a gata. “Ao sair da casa da minha mãe, eu tive a certeza que eu estava adotando de fato as duas. Eu escolhi a Paçoca e a Canjica me escolheu, depois eu percebi que eu precisava muito dela. Na minha fase depressiva, ela me ajudou muito, pois conseguiu me revigorar de forma intensa com a sua energia e me traz alegria”, fala Thais.
O primeiro mês foi caótico, Paçoca e Canjica tinham vermes poderosos que se contaminavam facilmente, além de ficarem desidratadas e precisarem de suplementação e medicação. Thais se dedicou muito e as filhotes conseguiram superar. Como as cachorras são vira-latas, o único jeito de saber o tamanho era analisando o tamanho das patas. Thais tinha certeza que as irmãs seriam de pequeno porte, mas elas se tornaram de médio porte, batem no joelho da sua tutora e pesam 16 Kg cada uma, essa foi a grande surpresa para Thais.
Quando elas eram filhotes, comeram todos os móveis e tudo que era mastigável. Thais lembra que a casa ficou um verdadeiro caos, Paçoca e Canjica deram muito trabalho nesse ponto. Agora, com dois anos e meio, melhoraram bastante, mas não pode ficar nada em cima da mesa.
“Elas são cachorras que precisam gastar energia, precisam brincar, ter seus brinquedos, fazer uma caminhada de 30 a 40 minutos e brincar de bola por igual período, se não o nível de ansiedade da Paçoca e Canjica fica muito alto”, diz Thais.
Paçoca e Canjica vieram antes do Miguel, filho de Thais, ao engravidar, ela percebeu que as cachorras ficaram mais apegadas que o normal. “A Paçoca que nunca foi de carinho deitava em cima da minha barriga. Quando o bebê nasceu foi um novo desafio, minha atenção ficou dividida, recém-nascido requer muita dedicação. As cachorras chegaram a ficar agressivas entre si, eu não conseguia dar atenção e elas, por sua vez, ignoravam o bebê”, conta Thais.
Aos poucos a família foi recriando uma nova rotina e, agora, o bebê com nove meses recebe lambidas de carinho e o trio se diverte junto. A tutora fica atenta porque as cachorras não têm noção do tamanho. Thais aguarda ansiosa para eles se tornarem os três terroristas da casa.
O momento mais marcante na vida das três foi quando Thais estava muito triste e devastada e as duas cachorras brincavam entre si até ouvirem o choro de sua tutora que pararam na mesma hora, uma deitou em seu colo e a outra lambeu as lágrimas. Elas agiram como se entendessem o que ela estava vivendo e do jeitinho delas conseguiram acolher sua tutora.
“O benefício de ter um cachorro é que eles conseguem acessar o emocional do ser humano. Não importa como foi seu dia, ao ter contato com os pets, o tutor tem a sua energia revigorada, sem contar o movimento para uma rotina com mais disposição. Por conta de todos os benefícios que a Paçoca e Canjica trouxeram à minha vida, eu recomendo que todos tenham pets”, aconselha Thais.
Ao considerar a chegada de um pet à família, é fundamental pesquisar a procedência e ter a certeza de que o animal vem de um criador responsável, que respeita o bem-estar e a saúde dos reprodutores. Ainda assim, considere adotar, pois milhares de cães e gatos aguardam por um lar em ONGs e abrigos espalhados pelo país, muitos deles resgatados de situações de abandono e prontos para oferecer afeto e companheirismo. A adoção é um gesto de cuidado, empatia e responsabilidade, capaz de transformar não só a vida do animal, mas também a de quem acolhe. Leia o QR Code ao lado e veja endereços de ONGs onde é possível encontrar seu novo melhor amigo!