Estudio Sette - ed05 - podcast clinica odontológica

ARQUITETURA & DESIGN

Clínicas odontológicas reinventam espaços que vão da recepção, sala vip ao local de cursos e estúdio para podcast

Studio Sette aponta tendências de arquitetura que ampliam bem-estar e faturamento

POR: MAJÔ GONÇALVES |

FOTOS: ARQUIVO STUDIO SETTE

As clínicas odontológicas brasileiras estão deixando para trás o modelo tradicional e padronizado, para assumir um papel mais estratégico que visa unir bem-estar do paciente, posicionamento de marca e expansão dos negócios. É isso que o Studio Sette, escritório especializado em arquitetura para saúde do Grupo ICOM, tem observado e impulsionado nos projetos assinados para dentistas em todo o país.

Mais do que reformar consultórios, a proposta é redesenhar a experiência completa da clínica que vai desde o layout da recepção à criação de espaços que geram oportunidades de novos negócios, como salas de cursos, estúdio para podcast e sala VIP para pacientes que exigem mais tempo para realizar procedimentos.

As principais tendências que o Studio Sette tem implementado podem inspirar dentistas a enxergar sua clínica como um verdadeiro hub de saúde, ensino e relacionamento.

Clínicas que viram centros de ensino e de conteúdo

Um dos movimentos percebidos pelo Studio Sette, no último ano, foi a demanda por espaços dedicados à formação profissional dentro das clínicas odontológicas. Igor Venâncio, supervisor geral do Studio Sette, explica que cerca de 10 clínicas projetadas recentemente já contam com sala de curso e espaço para gravação de podcast. “Essa tendência da sala de cursos é uma forma de o dentista se tornar empresário e referência em sua região para outros profissionais”, comenta Giovana Santos, analista de relacionamento. Ao abrir a clínica para treinamentos, ela explica que o profissional fortalece a sua autoridade, amplia sua rede e cria uma nova fonte de receita sem depender exclusivamente da cadeira odontológica.

Um exemplo é o projeto da dentista Michelle Miqueleti. Ela optou por criar um espaço totalmente dedicado a cursos, com palco, capacidade para 13 pessoas sentadas, área para demonstração prática e infraestrutura adequada para transmissão e registro de conteúdo. “No caso da Michele, essa área exclusiva para capacitação fica separada da clínica, em outro andar do mesmo prédio”, detalha Giovana. Além de ministrar seus próprios cursos, a profissional também pode locar o espaço para palestras e formações de outros colegas, transformando arquitetura em ativo de negócio.

Já no campo dos conteúdos digitais, Igor observa o crescente interesse dos dentistas em criar workspaces para podcast dentro da clínica. Segundo ele, a atuação de influenciadores do segmento, como Rick Novack, contribui para que muitos profissionais percebam o valor estratégico de ter um ambiente adequado para gravar entrevistas, aulas, episódios educativos e materiais de reforço de marca.

Esses novos espaços, salas de curso e estúdios de podcast, colocam a clínica em outro patamar que deixam de ser apenas locais de atendimento e passam a funcionar como plataformas de ensino, networking e produção de conteúdo, elementos essenciais para quem deseja se destacar em um mercado cada vez mais competitivo.

Do “consultório padrão” ao ambiente de bem-estar e conexão

Se há três anos o padrão mais comum de clínica envolvia muito LED aparente, ripado e tons claros, hoje a proposta do Studio Sette é ir além da estética “instagramável”. O foco está em criar ambientes que não tenham cara de clínica, privilegiando acolhimento, proximidade e conforto real para o paciente.

Uma mudança significativa é a releitura da recepção. “Em muitos projetos, o tradicional balcão está sendo substituído por composições mais fluidas, com mobiliário que favorece a sensação de acolhimento como se estivesse em uma sala de estar, e não em uma sala tradicional onde a mesa separa profissional do paciente. A ideia é diminuir barreiras físicas e simbólicas entre equipe e pacientes, tornando o contato mais humano”, destaca Igor.

Nas salas de atendimento, o layout também vem sendo repensado. Igor explica que, em áreas menores, tem sido aplicada uma configuração em que poltronas são dispostas lado a lado, de modo que o profissional possa abrir um tablet e apresentar o plano de tratamento de forma mais próxima, como uma conversa leve, e não uma relação distante entre profissional e paciente. Esse formato melhora a comunicação, aumenta a percepção de transparência e reforça o vínculo de confiança, considera Igor.

Outro destaque é a iluminação. O Studio Sette tem introduzido, nos consultórios, o uso de luz amarela com alto IRC (Índice de Reprodução de Cor), que reproduz as cores com mais fidelidade e proporciona uma atmosfera mais confortável para o paciente. Ainda que exista resistência por parte de alguns profissionais acostumados à luz branca intensa, a equipe reforça que a combinação correta de luz técnica para o trabalho clínico e luz de ambientação para o bem-estar pode transformar a experiência dos pacientes que passam horas na clínica.

Em alguns casos, o resultado arquitetônico é tão marcante que a clínica se torna um ponto de referência na cidade. Wesley Rodrigues, supervisor de layout, comenta que projetos como o da clínica Peixoto & Zini, por exemplo, contribuem inclusive para valorizar a região em que estão inseridos, pela imponência da fachada e pela qualidade do conjunto arquitetônico.

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Sala vip: conforto como diferencial para tratamentos longos

Entre as tendências mais fortes identificadas pelo Studio Sette, está a criação de salas vip para pacientes que são espaços exclusivos, distintos das tradicionais salas de pós-cirurgia. Nessas salas, o paciente pode descansar com total privacidade, assistir TV ou a uma série, se alimentar e relaxar enquanto aguarda a próxima etapa do procedimento. Igor explica que esse tipo de ambiente é especialmente indicado para tratamentos de harmonização orofacial, em que o paciente permanece na clínica durante praticamente todo o dia, com intervalos entre diferentes procedimentos.

Ao oferecer um ambiente reservado, confortável e bem equipado, a clínica oferece cuidado, respeito ao tempo do paciente e um padrão de atendimento premium, gerando um diferencial competitivo importante, sobretudo, em grandes centros onde a oferta de serviços é ampla.

Giovana acrescenta que muitos novos projetos já nascem prevendo áreas maiores não para multiplicar consultórios, mas para acomodar essas novas demandas: setores administrativos mais robustos, salas de curso e salas VIP, sempre alinhadas à estratégia de crescimento da clínica.

Clínica de transição: estratégia para crescer com segurança

Nem todo dentista está pronto, desde o início, para investir em uma grande clínica com múltiplos consultórios e infraestrutura complexa. Pensando nisso, o Studio Sette trabalha com o conceito de clínica de transição.

Nesses casos, o projeto costuma contemplar dois consultórios, uma área de esterilização e uma recepção aconchegante, em um espaço menor e mais enxuto, porém muito bem planejado. O objetivo é potencializar ao máximo os resultados naquele imóvel, com faturamento que pode chegar a R$ 200 mil ou R$ 300 mil ao mês, para então dar o próximo passo para uma clínica maior e mais completa.

Na visão de Igor, esse formato é uma solução inteligente para otimizar o espaço de forma prática, sem tentar replicar, em poucos metros quadrados, o que se vê em clínicas amplas. A principal dificuldade, ele admite, é convencer o cliente de que em uma metragem reduzida não é possível colocar tudo, e que o crescimento deve ser entendido como processo. “Primeiro prepara-se uma base sólida de resultados e, na hora certa, parte-se para um projeto mais robusto”, complementa Igor.

Muitos profissionais que passam pelo programa SucessOdonto, por exemplo, começam aplicando protocolos de atendimento e gestão, colhem resultados financeiros e, em seguida, procuram o Studio Sette para transformações estéticas na clínica atual que incluem mudanças de fachada e interiores, sem grandes intervenções estruturais. Com o aumento do faturamento, a clínica se fortalece e o dentista se organiza para investir, então, em um novo espaço maior, já alinhado às tendências de mercado.

Dicas para o dentista que quer transformar sua clínica

Giovana destaca que um dos pontos mais importantes, na hora de contratar um projeto, é a clareza financeira. Ter uma provisão de valores e comunicar ao escritório quanto se pretende investir ajuda a tornar o projeto viável, evitando frustrações. “Muitas vezes, o cliente faz o projeto e leva um tempo para iniciar a obra, mas é bom informar a equipe quando iniciar para que possamos auxiliá-los no processo”, orienta.

 

Também é fundamental que todas as mudanças desejadas durante a execução sejam comunicadas à equipe de arquitetura, para que os ajustes sejam feitos de forma técnica e segura. Alterações informais em obra, sem atualização de projeto, podem gerar retrabalho, custos extras e comprometer o resultado final.

Igor reforça outro ponto-chave: o dentista precisa conhecer de fato o espaço que tem e compreender que nem sempre será possível incluir tudo o que ele imagina naquele primeiro imóvel. Planejar a clínica como um processo, respeitando as etapas de evolução, costuma ser muito mais saudável do que tentar forçar um grande sonho em uma metragem limitada.

 

Por fim, respeitar as fases do projeto de arquitetura e design desde o estudo inicial ao executivo e memorial é uma forma de proteger o investimento, valorizando cada decisão tomada e garantindo que a clínica construída corresponda à visão traçada no papel.

Novas frentes: da odontologia ao workspace

O knowhow adquirido com clínicas odontológicas e médicas tem levado o Studio Sette a expandir sua atuação. Igor comenta que, além das clínicas médicas, que, muitas vezes, exigem soluções específicas, como fluxos separados de entrada e saída para médicos e pacientes, o escritório também vem desenvolvendo projetos de workspace, como coworkings e escritórios compartilhados.

Essa experiência reforça a visão de que a arquitetura para saúde vem ganhando roupagem cada vez mais parecida com modelos de negócios flexíveis, colaborativos e voltados à experiência do usuário, seja paciente, aluno, colega de profissão ou parceiro comercial.

Equipe por trás dos projetos

À frente do Studio Sette está uma equipe especializada, composta por 13 profissionais das áreas de arquitetura e design, além do casal de sócios Jéssica Novack e Victor Souza Sá, responsáveis pela direção do negócio. Com atuação focada em clínicas de saúde, especialmente odontológicas, o escritório alia conhecimento técnico, leitura das tendências de mercado e compreensão do dia a dia do consultório.

O resultado são projetos que vão além da estética, posicionando o dentista como referência, além de abrirem portas para novos negócios e transformarem a clínica em um ambiente de bem-estar, ensino e relacionamento, preparado para o presente e, principalmente, para o futuro da odontologia.

Nesta edição, o Studio Sette apresenta dicas para redefinir a clínica hoje, mostrando elementos considerados estratégicos, como sala de cursos, espaço de podcast, sala VIP e modelo clínica de transição bem planejado para crescer passo a passo.

A simpática equipe do Studio Sette, que concedeu um bate-papo à Revista Vértice: Jéssica Moreira, Mariana Kisse, Wesley Santos, Igor Venancio, Giovanna Lima e Regiane Souza

Nádia Cristina Pereira, nutricionista Nádia Cristina Pereira, nutricionistaNádia Cristina Pereira, nutricionista

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Etapas do projeto: do imóvel ideal ao memorial descritivo:

Para que a arquitetura cumpra seu papel estratégico, é fundamental entender o processo de projeto. Igor e Giovana resumem as principais etapas compreendidas em:

  • Assessoria na escolha do local: antes mesmo de desenhar o layout, a equipe auxilia na análise do imóvel que envolve localização, estrutura, potencial de adaptações e limitações técnicas. Essa fase é crucial para evitar surpresas e garantir que o espaço comporte o sonho do dentista e suas projeções de crescimento.
  • Layout inicial: é a etapa em que o fluxo da clínica é desenhado, como posicionamento de consultórios, esterilização, recepção, administração, sala de cursos, áreas de apoio e circulação. Nessa fase, as modificações são mais rápidas e ágeis, permitindo ajustes finos de funcionalidade.
  • Projeto 3D: com o layout definido, o projeto segue para o 3D, incluindo mobiliário, revestimentos e todos os detalhes. É quando o dentista consegue enxergar a futura clínica, entender a proposta estética e validar escolhas com mais segurança.
  • Projeto executivo: nesta etapa tudo é detalhado desde as partes elétrica, hidráulica, pisos, revestimentos, marcenaria, forros, iluminação até elementos técnicos. Esse nível de especificação reduz dúvidas na obra, evita retrabalho e minimiza desperdícios de tempo e recursos.
  • Memorial descritivo: é um memorial bem elaborado que reúne todas as especificações do projeto, com links para sites dos itens escolhidos para o mobiliário, louças, eletrodomésticos, luminárias e demais componentes. Esse documento é essencial para que a obra siga fiel ao conceito aprovado. Ao final da entrega do projeto, a equipe do Studio Sette orienta que os profissionais diretamente envolvidos na obra sejam incluídos em um grupo de WhatsApp com a equipe que vai executar. Isso facilita o alinhamento, permite sanar dúvidas rapidamente e reduz problemas decorrentes de falhas de comunicação.