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Turnover, contratação e desenvolvimento de soft skills

Contratações estratégicas, gestão consciente e desenvolvimento de soft skills são fatores-chave para reduzir a rotatividade e fortalecer equipes nas clínicas odontológicas

POR: Lucas Donizetti 

FOTOS: RAFAEL MARTON

Turnover, contratação e soft skills costumam aparecer como temas separados nas discussões sobre gestão. No dia a dia das clínicas odontológicas, porém, esses três elementos caminham juntos e influenciam diretamente a estabilidade das equipes, os resultados operacionais e a sustentabilidade do negócio.

Dados do Sebrae, levantados em abril de 2019 nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, ajudam a dimensionar esse cenário. O levantamento aponta que 25% dos colaboradores em pequenas e médias empresas permanecem menos de seis meses no cargo. Outros 17% ficam entre seis meses e um ano, 19% entre um e dois anos, enquanto 40% permanecem por dois anos ou mais.

Quando o recorte se volta ao setor de serviços, no qual se enquadram as clínicas odontológicas, o tempo médio de permanência sobe para cerca de 50 meses. Os números mostram que a permanência existe e é possível, desde que o ambiente ofereça condições adequadas, como organização, gestão eficiente e propósito claro.

Esse movimento se conecta a um fenômeno cada vez mais discutido no mercado de trabalho: o job hopping. A prática, caracterizada por ciclos mais curtos de permanência nas empresas, passou a ser vista por muitos profissionais como uma estratégia de crescimento. Salário segue sendo importante, mas já não é o único fator. Experiências, qualidade do ambiente, benefícios e oportunidades de desenvolvimento pesam cada vez mais nas decisões de permanência.

Nesse contexto, o turnover deixa de ser apenas a saída de colaboradores — algo natural em qualquer organização — e passa a ser um indicador de alerta quando ocorre de forma frequente e em intervalos curtos. Clínicas em que o funcionário mais antigo tem poucos meses de casa costumam revelar falhas estruturais na gestão de pessoas.

Um erro comum é associar retenção exclusivamente à remuneração. Especialistas apontam que, embora o salário seja relevante, raramente ele é o principal motivo de desligamento. A alta rotatividade traz impactos claros: equipes sobrecarregadas, líderes pressionados, queda de produtividade, metas difíceis de alcançar e perda de qualidade no atendimento. Há ainda efeitos menos visíveis, como estresse, desgaste emocional, desmotivação e enfraquecimento da cultura organizacional.

O impacto financeiro também é significativo. Custos com demissões, novas contratações, divulgação de vagas, processos seletivos e tempo de adaptação de novos colaboradores comprometem a lucratividade. Além disso, a constante troca de profissionais dificulta a consolidação de valores e padrões de comportamento dentro da clínica.

Em muitos casos, a raiz do problema está no início da jornada do colaborador. Processos de contratação feitos às pressas e um onboarding mal-estruturado costumam abrir caminho para frustrações futuras. Soma-se a isso o crescimento do faturamento sem o redimensionamento da equipe e dos processos de gestão. A clínica passa a exigir mais desempenho, volume e responsabilidade, sem oferecer suporte proporcional em estrutura, treinamento e acompanhamento.

O resultado é previsível: sobrecarga, desorganização, queda no engajamento e um ciclo contínuo de turnover. Profissionais recém-contratados entram em um ambiente já tensionado e, ao perceberem esse cenário, tendem a não permanecer.

“As soft skills envolvem comportamento, comunicação e relacionamento interpessoal. Competências como empatia, trabalho em equipe, resolução de conflitos, gestão do tempo e autoconhecimento.”

Reduzir o turnover, portanto, não significa reter profissionais a qualquer custo, mas construir um ambiente organizacional estruturado, coerente e saudável. Um caminho que passa por boas contratações, gestão consciente e investimento contínuo no desenvolvimento das pessoas.

Nesse cenário, as soft skills ganham protagonismo. Diferentemente das hard skills, ligadas à técnica, as soft skills envolvem comportamento, comunicação e relacionamento interpessoal. Competências como empatia, trabalho em equipe, resolução de conflitos, gestão do tempo e autoconhecimento são decisivas no ambiente clínico.

Uma CRC com dificuldade de comunicação ou empatia, por exemplo, impacta diretamente a experiência do paciente. Da mesma forma, gestores sem habilidade para lidar com conflitos ou organizar demandas tendem a gerar tensão e sobrecarga na equipe. A boa notícia é que essas habilidades podem — e devem — ser desenvolvidas, tanto em colaboradores quanto em lideranças. ▲

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Ao lado, Lucas Donizetti, hoje à frente da coordenação das soluções Select, Select Club e Infinity. Leia o QR Code ao lado para assistir à sua participação no Podcast Infinity, com Fabrício Felix

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Confira algumas soft skills essenciais para você como líder observar na sua empresa e nos seus colaboradores:
  • Comunicação eficaz
    A capacidade de transmitir ideias de forma clara e concisa, tanto na fala quanto na escrita, e também de ouvir ativamente.

  • Trabalho em equipe
    A habilidade de colaborar com colegas, respeitar diferentes perspectivas e contribuir para um objetivo comum.

  • Resolução de problemas
    A aptidão para identificar desafios, analisar informações e desenvolver soluções criativas e práticas.

  • Adaptabilidade
    A flexibilidade para se ajustar a novas situações, mudanças no ambiente de trabalho ou em processos, e a vontade de aprender novas habilidades.

  • Liderança
    A capacidade de motivar, inspirar e guiar outras pessoas, delegando tarefas e tomando decisões de forma responsável.

  • Inteligência emocional
    O entendimento e a gestão das próprias emoções e as dos outros, o que contribui para relacionamentos interpessoais saudáveis e manejo do estresse.

  • Gestão de tempo
    A organização para priorizar tarefas, cumprir prazos e manter a produtividade.

  • Pensamento crítico
    A capacidade de analisar informações objetivamente e formar um julgamento sensato, questionando suposições e avaliando evidências.

  • Criatividade
    A habilidade de pensar “fora da caixa”, gerar novas ideias e encontrar abordagens inovadoras para projetos ou problemas.