Propósito de Deus sempre foi o
alicerce para a construção do Grupo ICOM
Como Roberto Bueno transformou fé em estratégia e negócios em missão
POR: MAJÔ GONÇALVES |
FOTOS: RAFAEL MARTON
Fundador e CEO do Grupo ICOM, Roberto Bueno é o tipo de executivo que desafia o roteiro tradicional das histórias de sucesso. Enquanto muitos líderes falam de planos de negócios, networking e investidores, ele insiste em voltar sempre ao mesmo ponto: uma garagem simples, a fé em Deus e a convicção de que empresas existem, antes de tudo, para transformar vidas.
Três décadas depois de começar “no fundo da garagem da mãe”, Roberto comanda um grupo que se tornou referência em marketing, gestão e aceleração de clínicas odontológicas e negócios em geral. Mas, para ele, o dado mais relevante não está no faturamento ou no tamanho da operação, mas na frase que carrega desde o início da jornada: “Nunca foi sorte! Sempre foi Deus!”
A trajetória de Roberto poderia ser contada como a de tantos outros empreendedores que começaram com estrutura limitada, recursos escassos e incertezas por todos os lados. A diferença é que, desde o princípio, ele enxergou algo maior naquele cenário improvável.
A garagem da mãe, que poderia ser apenas um espaço improvisado para um pequeno negócio, se tornou símbolo de um tipo de empreendedorismo que ele defende até hoje: aquele movido por propósito, não apenas por oportunidade. Para Roberto, Deus sempre esteve no centro das decisões, algo incomum no mundo corporativo.
Com pouca experiência, mas uma clareza crescente de missão, ele entendeu cedo que não estava apenas “abrindo uma empresa”. Estava aceitando um chamado. A convicção de que Deus escreve grandes histórias em lugares improváveis se tornaria, anos depois, um dos alicerces de sua liderança.
Para um mercado acostumado a falar apenas de indicadores e crescimento, a tese de Roberto é, no mínimo, provocadora, ao dizer: “Quando o trabalho é guiado por propósito e serviço genuíno, o negócio deixa de ser apenas fonte de renda e se torna ferramenta de transformação”
►Roberto Bueno
O ano de 1986 marca o ponto de virada que definiria o rumo de sua carreira. Ao ingressar na Dentsply para gerenciar o Microdont, um dos primeiros sistemas informatizados de odontologia no Brasil, Roberto estava diante de um cenário que poucos conseguiam enxergar com clareza e fez toda a diferença:
a aproximação entre tecnologia e odontologia.
O que poderia ser apenas um bom nicho de mercado se tornou, nas mãos dele, uma plataforma de impacto. Desde o início, ele percebeu que seu trabalho não era sobre sistemas, mas sobre pessoas, percebendo que dentistas estavam em busca de estrutura, pacientes que procuravam por confiança, equipes necessitando direção.
Diferentemente do padrão comum, a lógica que guiou seus passos foi outra que ia além de abrir um negócio para “ganhar dinheiro”. Roberto escolheu empreender para gerar valor. O resultado, segundo ele, foi quase um efeito colateral: “Quanto mais eu ajudava as pessoas, mais Deus me abençoava”. O que para muitos soaria como discurso religioso, na trajetória dele se traduziu em dados concretos de crescimento.
Hoje, quando fala sobre esse período, ele resume a lição em uma frase que desconcerta boa parte da mentalidade empresarial tradicional: “Quando você trabalha pra servir, o dinheiro te procura. Quando você trabalha só por dinheiro, o propósito te abandona.”
A imagem do empresário bem-sucedido costuma esconder um capítulo incômodo: o dos dias em que nada parece funcionar. No caso de Roberto, esses dias não foram poucos. Houve noites sem dormir, momentos em que os números não fechavam e fases em que o futuro da empresa parecia, no mínimo, incerto.
A diferença, mais uma vez, esteve na forma como ele atravessou esses períodos. Em vez de se apoiar apenas em planilhas, instinto ou benchmarking, Roberto aprendeu a tomar decisões guiado por algo que descreve como “direção e paz em meio ao caos”. Ele não fala de fórmulas místicas, mas de uma experiência prática de fé aplicada ao cotidiano empresarial.
Em momentos em que qualquer manual de gestão apontaria para o corte ou recuo, ele relata ter recebido ideias e caminhos que, dias depois, se mostravam surpreendentemente corretos. Não havia uma voz audível, mas havia uma convicção serena de que não estava sozinho. “Deus não remove as montanhas pra gente, Ele nos ensina a escalar”, costuma dizer.
Guiado por esse entendimento, Roberto adotou uma postura que se tornou marca registrada de sua liderança ao enfatizar que desistir não era opção. Não por orgulho, mas por propósito. Empreender, na sua visão, não é um refúgio de conforto, e sim um campo de batalha para quem crê que o que faz tem um sentido maior que o próprio negócio.
Quando um empreendedor entrega seu propósito a Deus, o retorno vem em forma de histórias, de empresas salvas, de vocações reacendidas e famílias restauradas”
► roberto bueno
Com o amadurecimento do Grupo ICOM, vieram resultados expressivos: clínicas que cresceram, consultórios que se profissionalizaram, dentistas que conseguiram finalmente ter previsibilidade financeira. Porém, a virada mais profunda não aconteceu em uma planilha, mas na percepção de propósito.
Ao observar a transformação de seus clientes, Roberto percebeu um padrão inquietante, pois muitos dentistas haviam perdido, ao longo dos anos, a paixão pela profissão. Estavam exaustos, desmotivados, sobrevivendo em vez de prosperar. E algo começou a ficar claro sobre a sua missão. Teve a convicção de que sua empresa não existia apenas para ensinar marketing ou gestão, mas para devolver fé a quem tinha esquecido do próprio dom.
Essa constatação mudou o tom de tudo. A partir daí, cada projeto deixou de ser “apenas um contrato” e passou a ser tratado como uma oportunidade de reacender vocações. Em diversos casos, depois de aplicarem as metodologias e receberem a orientação da ICOM, dentistas não só aumentavam seus resultados, mas resgatavam a alegria de atender, o brilho nos olhos, o orgulho da profissão.
Roberto passou a enxergar consultórios sendo restaurados, mas também famílias reconciliadas, autoestima reconstruída, casamentos preservados. O impacto ia muito além do faturamento. Em suas palavras, “eu não estava apenas gerando lucro. Eu estava gerando propósito”.
Um legado que não cabe em um balanço
Se a história de Roberto terminasse em números expressivos e cases de sucesso, já seria um bom exemplo para o mundo corporativo. Mas o capítulo que ele considera mais importante não está nos relatórios – está na própria família.
Os seus filhos cresceram acompanhando de perto a rotina intensa, as crises, as viradas e, sobretudo, a forma como o pai interpretava cada uma delas, ressaltando que fazia parte de um propósito maior. O resultado desse convívio é visível hoje. Ricardo, um de seus filhos, se tornou uma das maiores referências do segmento, enquanto suas filhas atuam na linha de frente de projetos que alcançam milhares de pessoas.
Para Roberto, isso confirma uma convicção pessoal: “Deus não abençoa apenas um nome no contrato social, mas uma geração inteira disposta a honrar um propósito”. O empresário enfatiza que mais do que empresas, prêmios e reconhecimento, o que mais o emociona é ver seus filhos dando continuidade ao que começou na garagem da mãe para levar essa missão para lugares que ele próprio não imaginava alcançar.
O legado, nesse caso, não é apenas financeiro ou institucional. É um legado de mentalidade, de valores, de senso de missão.
Do consultório ao CNPJ: a expansão de um chamado
Depois de mais de 35 anos impactando o mercado odontológico, Roberto começou a perceber outro movimento quando empresários de diferentes áreas o procuravam em busca não só de técnica, mas de clareza. O padrão era semelhante: tinham bons produtos, equipes competentes, mas líderes sobrecarregados, ansiosos, solitários.
A resposta do Grupo ICOM foi natural com a ideia de expandir o foco. Sem abandonar a odontologia, a empresa passou a estruturar soluções para outros segmentos, sempre com o mesmo eixo central e foco em gestão profissional, marketing estratégico e uma visão de negócio ancorada em propósito.
Para Roberto, a necessidade é nítida já que muitos empreendedores dominam o “como fazer”, mas se perdem no “por que fazer”. E, sem esse “porquê”, qualquer crise parece definitiva. Ele insiste em um ponto que costuma causar desconforto em alguns círculos corporativos: prosperidade não é o fim da linha, é meio. Meio para ampliar impacto, gerar empregos, sustentar famílias, abrir portas para que mais pessoas descubram e vivam seus próprios chamados.
Eu comecei a enxergar que o meu trabalho não era sobre marketing ou gestão. Era sobre reacender o brilho nos olhos de profissionais que tinham perdido a fé em si mesmos”
► roberto bueno
Ao falar com dentistas, Roberto gosta de lembrar que aliviar dor, devolver sorrisos e restaurar autoestima não é apenas uma habilidade técnica, mas um dom. E que um consultório pode ser mais do que um espaço de atendimento, pode ser um local agradável e que oferece acolhimento ao paciente que é o centro de tudo. A mesma lógica, acredita ele, vale para qualquer negócio sério.
Na prática, isso significa algo simples e profundamente desafiador ao priorizar as pessoas, olhando primeiro para os olhos, e não para o bolso. Colocar pessoas antes do ego, propósito antes do lucro, fé antes do medo. Em um cenário empresarial, muitas vezes guiado por metas trimestrais, esse tipo de discurso soa quase contracorrente, e justamente por isso desperta curiosidade.
Como é possível crescer de forma consistente sem colocar o dinheiro no centro? Como conciliar fé e gestão? Como tomar decisões estratégicas considerando indicadores e, ao mesmo tempo, uma convicção interna de propósito? A própria trajetória de Roberto parece sugerir que essas não são perguntas teóricas, mas desafios diários para quem decide empreender com um olhar mais amplo.
Do fundo da garagem da mãe à posição de referência nacional em seu segmento, a caminhada de Roberto Bueno oferece uma leitura diferente sobre sucesso. Em vez de se apresentar como “autodidata brilhante” ou “visionário solitário”, ele faz questão de se colocar como alguém conduzido por algo maior do que sua própria capacidade de planejamento.
Ele resume sua experiência com uma frase que tem se tornado marca entre aqueles que o acompanham: “Deus não abençoa simplesmente planos, Ele abençoa propósitos. E, quando um empreendedor entrega seu propósito a Deus, o retorno vem em forma de histórias, de empresas salvas, vocações reacendidas, famílias restauradas”.
Talvez seja justamente essa combinação pouco comum de fé assumida, técnica consistente e foco em transformação de vidas que torna a trajetória de Roberto tão instigante. Num mundo corporativo acostumado a explicações racionais para tudo, a sua biografia mostra que o propósito realmente tem um poder transformador e gera resultados extraordinários. ▲