A nova especialidade na odontologia: cirurgias estéticas faciais
Por: marceLla Manes | FOTOS: BIANCA AZEVEDO, IA
Marcella Manes é cirurgiã-dentista, especialista em Harmonização Orofacial pelo IOA e em Endodontia, com formação em Auditoria e Consultoria Odontológica pela Fundecto-USP. É professora convidada do IOA e Coordenadora de Soluções do grupo icom
A oficialização da Cirurgia Estética Orofacial (CEOF) como especialidade odontológica pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) representa uma das maiores mudanças recentes na Odontologia. A nova regulamentação não apenas amplia a atuação do cirurgião-dentista, mas também estabelece critérios rigorosos de formação, segurança clínica e estrutura física para realização dos procedimentos, fortalecendo a segurança do paciente como prioridade central.
Nos últimos anos, a Harmonização Orofacial (HOF) cresceu rapidamente no Brasil. Com o avanço das técnicas e o aumento da procura por procedimentos estéticos faciais, muitos cirurgiões-dentistas passaram a atuar em áreas mais complexas da face, gerando discussões sobre limites de atuação, formação profissional e segurança do paciente.
Diante desse cenário, o CFO publicou a Resolução CFO-SEC-286/2026, reconhecendo oficialmente a Cirurgia Estética Orofacial como especialidade odontológica. A nova regulamentação organiza a atuação clínica, estabelece critérios de capacitação e define quais procedimentos podem ser realizados pelos especialistas.
A tendência é que o mercado se torne mais seletivo e mais seguro, valorizando profissionais verdadeiramente capacitados. Ao mesmo tempo, a resolução reduz espaço para formações superficiais e para execução de procedimentos complexos sem treinamento adequado.
Segundo a resolução, a CEOF é uma especialidade odontológica voltada ao diagnóstico, planejamento e execução de procedimentos cirúrgicos estéticos orofaciais.
O CFO fundamenta a criação da especialidade no entendimento de que a face é uma unidade anatômica e funcional integrada, onde estética e função estão diretamente relacionadas.
Além disso, a resolução reforça que a atuação odontológica na face já era prevista em normas anteriores, especialmente nas áreas de cirurgia, estética e estruturas anexas da cabeça e pescoço. Na prática, a CEOF surge como uma evolução da integração entre duas especialidades: Harmonização Orofacial (HOF) e Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF).
A resolução criou três caminhos possíveis para obtenção
do título de especialista em CEOF:
A resolução criou um dos modelos de especialização mais extensos da Odontologia estética.
Um dos pontos mais importantes da nova resolução do CFO é a exigência de estruturas clínicas compatíveis com o nível de complexidade de cada procedimento. A norma deixa claro que não basta apenas possuir capacitação técnica: o ambiente também precisa oferecer condições adequadas de biossegurança, monitoramento e suporte ao paciente.
Para isso, o CFO passou a classificar os ambientes odontológicos em três níveis: Tipo I, Tipo II e Tipo III. Cada categoria possui exigências específicas relacionadas ao porte cirúrgico, anestesia utilizada, equipamentos obrigatórios e capacidade de atendimento em situações de emergência.
Confira a seguir o quadro comparativo detalhado que sintetiza as novas diretrizes do CFO. Veja quais são as exigências de biossegurança e os requisitos estruturais obrigatórios da especialidade, e saiba exatamente onde se enquadra cada procedimento cirúrgico de acordo com o seu nível de complexidade.
Procedimentos de pequeno porte e menor complexidade cirúrgica
Procedimentos de médio porte com maior necessidade de monitoramento
Procedimentos de alta complexidade
Estrutura próxima à de centros cirúrgicos ambulatoriais:
Sala cirúrgica ampla
Lavabo cirúrgico dedicado
Gases medicinais
Monitor multiparâmetro
Recuperação pós-anestésica estruturada
Suporte para permanência temporária do paciente quando necessário
Procedimentos de pequeno porte e menor complexidade cirúrgica
Procedimentos de médio porte com maior necessidade de monitoramento
Procedimentos de alta complexidade
Estrutura próxima à de centros cirúrgicos ambulatoriais:
Sala cirúrgica ampla
Lavabo cirúrgico dedicado
Gases medicinais
Monitor multiparâmetro
Recuperação pós-anestésica estruturada
Suporte para permanência temporária do paciente quando necessário