05 - Mari Estivalet - Revista Vértice 06

ESSÊNCIA FEMININA

Como o autocuidado e saúde mental mudaram a vida de Mariana Estivalet

Menina que sonhava em ser modelo percebeu que a força interior podia ser a transformação necessária para a sua autoestima, passou a se sentir uma joia e decidiu lapidar outras mulheres

Por: MAjô Gonçalves

FOTO: Julian de Freitas

LOOK: alfaiataria Trappiche

Stylist: Maria da Glória

Gaúcha de Bento Gonçalves, Mariana Estivalet cresceu com um sonho muito claro: ser modelo. Aos 12 anos participou do primeiro concurso de beleza e nunca mais parou. Aos 16, começou a trabalhar com o renomado instrutor de passarela Anderson Sassy, já falecido. Vieram as seletivas em agências de São Paulo, as primeiras parcerias em redes sociais, os bastidores da moda, a disciplina da passarela e o olhar atento para cada detalhe que compõe a presença de uma mulher.

“Meu sonho de menina sempre foi ser modelo, eu me inspirava na Gisele Bündchen e li algumas vezes o seu livro Aprendizado”, lembra Mariana. Enquanto desfilava, fotografava e participava de concursos, ela aprendia, na prática, a lidar com expectativas externas, padrões estéticos e as exigências de um mercado que, muitas vezes, cobra mais do que entrega.

A menina da passarela para as redes sociais 

As redes sociais entraram na vida de Mariana a partir de uma ideia de Sassy: usar a internet para fechar parcerias e construir um trabalho que pudesse ser conciliado com os estudos e os concursos. Foi assim que ela conheceu Greg di Bernardi e Nati Matielli, donos da clínica odontológica Essence, referência na Serra Gaúcha que faz parte da Infinity, e começou a ampliar o networking.

Vieram parcerias com restaurantes, lojas de roupas, sapatos e acessórios na sua cidade. A menina que sonhava com as passarelas passou a entender também o poder da imagem, da comunicação e da influência digital. Sem perceber, ela já ensaiava os passos que, mais tarde, a aproximariam do marketing e do universo da odontologia.

O convite irrecusável para o México e uma escolha dolorosa 

O sonho de ser modelo internacional bateu à porta: Mariana foi convidada por uma agência paulistana para trabalhar no México. Não pensou duas vezes: deixou para trás o concurso de Miss Rio Grande do Sul Latina, fez a preparação em São Paulo e embarcou rumo a uma nova vida.

No México, viveu intensamente a rotina de modelo. Trabalho, conquistas e felicidade. Até que um contexto muito maior a chamou para outro tipo de decisão. Com a mãe já bastante debilitada e o início da pandemia, Mariana relata ter vivido um conflito interno profundo: “Enquanto eu realizava um sonho profissional no México, via minha família enfrentando um momento extremamente difícil e o mundo inteiro vivendo um cenário de incerteza”, conta. Ao questionar se era justo continuar ali enquanto a família precisava dela, tudo perdeu um pouco o sentido.

Foram cerca de três semanas vivendo esse conflito, sem dormir direito e sob muito estresse, período em que perdeu trabalhos, viu sua força emocional diminuir e ganhou quase dez quilos. Foi então que decidiu voltar ao Brasil para estar perto de casa. Um tempo depois de sua volta, acompanhou a mãe durante uma cirurgia e sua recuperação, além de assumir um papel ativo nos negócios da família. O sonho internacional ficou em stand-by, mas, naquele momento, entendeu que amar também é escolher ficar.

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Depressão, recomeço e a descoberta do autocuidado através do outro na odontologia

Com a mãe recuperada e a vida voltando pouco a pouco ao ritmo normal, Mariana se viu, pela primeira vez, sem vontade de voltar para o mundo da moda. Caiu em depressão, ficou sem rumo, sem brilho nos olhos.

A mãe, indignada com a apatia da filha, decidiu interferir e insistiu para que ela mandasse uma mensagem para os conhecidos da Clínica Essence, onde havia uma vaga de trabalho. “Como eu sempre fui obediente, mandei mensagem, conversei com o Greg e fui contratada na mesma hora. Tudo o que a minha mãe queria era que eu tivesse uma rotina”, relembra Mariana.

Mas o plano da mãe deu certo. Ela foi contratada para a função de CRC na clínica com a missão desafiadora de desenvolver uma técnica de trabalho, trazer novos pacientes e fortalecer o relacionamento com os antigos, com o objetivo de fechar tratamentos. Nesse processo, Mariana começou a entender o autocuidado sob uma nova perspectiva. “O desafio foi grande e, nesse momento, eu comecei a entender o autocuidado de outra forma. Devolver ao paciente a possibilidade de participar de um churrasco de domingo e poder sorrir sem medo não tem preço”, diz.

Ela se aprimorou, fez cursos no Grupo ICOM, em São Paulo/SP, e se dedicou como se a clínica fosse dela. Ali, percebeu que a beleza que realmente transforma é aquela que devolve dignidade, pertencimento e liberdade de ser.

Do marketing à mesa do restaurante e a virada de chave

Depois de crescer profissionalmente na Essence, veio um novo capítulo: abrir um restaurante com o pai. A ideia era empreender em família, criar algo próprio, fincar raízes em um novo segmento.

Mas a vida, mais uma vez, a colocou diante de um desafio duro quando o restaurante faliu. O baque financeiro e emocional foi grande. Mariana ainda tinha outro empreendimento com um sócio e tentava reorganizar a própria vida enquanto vivia um turbilhão interno. Foi nesse cenário de reconstrução que o inesperado aconteceu: um verdadeiro conto de fadas começou, daqueles que parecem só existir na ficção, mas era real.

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Destino aproximou Mariana de Ale Dias, o seu marido e amor da vida

De novo a odontologia mudando a sua vida. Trabalhando na Essence Odontologia, dos amigos Greg di Bernardi e Nati Matielli, Mariana, na função de CRC, gravou um vídeo estratégico focado no relacionamento com os clientes. O material acabou viralizando nos grupos das clínicas e gerou resultados maravilhosos.

O vídeo foi tão impactante que Greg e Nati decidiram usá-lo em uma palestra na ICOM, em São Paulo, referência em marketing para odontologia, onde atua o empresário Ale Dias, sócio do Grupo ICOM, ao lado de nomes como Ricardo Novack, Fábio Netto e Fe Pereira. Na plateia, entre tantos profissionais do segmento, estava Ale. E foi ali que tudo começou.

Amor ao primeiro vídeo

Ele assistiu ao vídeo, ouviu a voz de Mariana, observou o jeito com que ela se expressava e se apaixonou de imediato. “Ele disse que se apaixonou pela doçura da minha voz, do jeito que eu me expressei no vídeo, e foi imediatamente pedir o meu contato para o Greg. Nessa altura, eu havia acabado de sair da clínica para iniciar um novo projeto. Ele explicou a situação e passou o meu Instagram”, conta Mariana.

A conversa começou tímida pelo Instagram, avançou para o WhatsApp e, quando perceberam, já estavam se falando diariamente, compartilhando tudo o que estava acontecendo em suas vidas, como as dificuldades que Mariana enfrentava na sociedade, os desafios empresariais e pessoais, e o momento delicado que Ale vivia com o pai doente. Assim, cinco meses se passaram.

Mari em vídeo gravado para a Essence Odontologia

O livro que atravessou quilômetros e mudou uma vida

À distância, Ale decidiu cuidar de Mariana de um jeito silencioso e profundo. Pegou seu endereço com Greg e enviou um presente: o livro Você Pode Curar a Sua Vida, de Louise Hay. “Ele me mandou um livro que transformou a minha vida. Mesmo à distância, estávamos nos conhecendo de verdade, ao ponto de ele saber exatamente do que eu precisava naquele momento”, relembra.

O livro se tornou um divisor de águas. Com a leitura, Mariana aprendeu sobre a conexão entre mente e corpo, o poder das afirmações positivas e o quanto o amor-próprio e o perdão são base de qualquer processo de cura e de autoaceitação.

Nascia ali um novo tipo de autocuidado em sua rotina, começando de dentro para fora. Entre suas práticas diárias, passou a reservar, pelo menos, cinco minutos do dia para ler um livro ou a Bíblia, nutrindo alma e mente antes de se preocupar com o espelho.

O livro ‘Você Pode Curar a Sua Vida’, de Louise Hay, presente de Ale Dias para Mari

Encontro de almas e Ano Novo no hospital

Quando o pai de Ale apresentou uma melhora, ele decidiu ir ao encontro de Mariana em Bento Gonçalves. O que poderia ser apenas um encontro presencial comum se transformou em algo muito maior. Mariana descreve como um encontro de almas gêmeas. No primeiro abraço, sentiu como se já se conhecessem de outras vidas. Em quatro dias, tiveram a certeza de que o relacionamento era real. Viajaram, compartilharam planos, sonhos e vulnerabilidades. E ela aceitou o convite para passar dez dias ao lado dele na Holanda.

Durante a viagem, viveram intensamente, se apaixonaram profundamente e perceberam que já não conseguiam mais se imaginar separados, mesmo vivendo um amor à distância.

“Pedi a ele um tempo para eu organizar a minha vida profissional. Nesse momento, já havia falido o restaurante com o meu pai, eu tinha outro empreendimento com um sócio e também tinha a parte mais difícil: preparar meus pais para essa mudança radical de vida”, conta Mariana.

Quando o tempo certo chegou, Ale foi buscá-la. Apresentou-se à família, mostrou com clareza que sua intenção era casar e que o que eles viviam era, de fato, um encontro de almas. Prometeu que faria de tudo para que ela fosse a mulher mais feliz do mundo em São Paulo. “Meus pais acreditaram na credibilidade do Ale e eu vim de mudança com ele. Foi meu passaporte para viver um amor verdadeiro que eu nem sabia que existia na vida real”, diz.

Estivalet Joias: mulheres como joias com histórias como lapidação

Ao lado de Ale, Mariana se permitiu sonhar novamente. Se tornou empresária com a ideia inicial de abrir uma loja de roupas, mas o plano foi recalculado. Com apoio total do marido, fez vários cursos, estudou, pesquisou, refino após refino, até que o conceito se mostrou cristalino para criar uma marca de joias que refletisse aquilo em que ela acreditava sobre a força e a singularidade feminina.

Foi assim que nasceu a Estivalet Joias. Para Mariana, as mulheres são as verdadeiras joias. A empresa existe com um propósito muito claro de permitir que cada mulher vista a sua essência nos detalhes da própria história. A marca foi pensada para dar voz a uma beleza que inspira e é livre, sem esquecer que o verdadeiro valor mora na autenticidade e na autoexpressão.

A trajetória de Mariana que sonhava com passarelas internacionais, da filha que largou tudo para estar ao lado da família em um momento de incerteza, da jovem que enfrentou depressão, empreendeu, faliu e recomeçou, até a mulher que se reconstruiu por dentro e se apaixonou por um amor de alma – é a base invisível de cada peça que leva o nome Estivalet.

Hoje, além de modelo, criadora de conteúdo, comunicadora e empresária do comércio digital de joias, ela entende o autocuidado como um ato diário de coragem para nutrir a mente, acolher as emoções, escrever para se compreender, ler para expandir a consciência e escolher, todos os dias, viver uma história que faça sentido.

Celebração da união com casamento na Grécia

Em setembro de 2025, em Santorini, na Grécia, Mariana e Ale selaram essa história em um casamento digno de filme, cercados por uma paisagem exuberante, familiares e muitos amigos felizes por testemunhar esse amor. De volta ao Brasil, o casal colocou outro plano de vida em ação. Eles se mudaram para uma casa arejada, adotaram o Bono, o tão sonhado golden retriever, e seguem construindo, dia após dia, uma vida baseada em parceria, respeito, propósito e afeto.

Como empresária, mais do que vender joias, Mariana decidiu lembrar às mulheres que elas já são joias e que a lapidação mais importante acontece por dentro.

Ale Dias, Mari Estivalet e Bono, o golden companheiro do casal

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Mariana Estivalet em ensaio fotográfico (por Julian de Freitas)

Mari Estivalet e Ale Dias - Revista Vértice 06

Mari ao lado do marido, Ale Dias, do Grupo ICOM.

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A liberdade mora em olhar para dentro e lembrar de si. A força está na consciência de que a verdadeira beleza também mora ali. A retomada do olhar ao interior nos faz reconhecer a capacidade que a nossa singularidade tem de inspirar não somente a nós, mas tudo que a gente tocar.

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